Economia de Francisco

Nos dias 19, 20 e 21 de novembro aconteceu a Economia de Francisco, evento que mobilizou jovens de 120 países do mundo, economistas, empresários, empresárias e changemakers para debaterem uma nova economia global, mais humana, equilibrada e justa.


Mas a verdade é que o que era para ser um evento, graças à pandemia, podemos assim dizer, tornou-se um movimento. O adiamento do encontro permitiu que os participantes promovessem inúmeras reuniões e conversas durante todo o ano de 2020, o que trouxe à Economia de Francisco, mais do que palestrantes globalmente conhecidos, trouxe jovens, participantes do evento que puderam apresentar os trabalhos das próprias vilas.

É até um pouco estranho perceber que o evento deixou de ser para os jovens da Economia de Francisco e se tornou um evento dos jovens da Economia de Francisco para o mundo.


Sou exemplo disso, estou na vila Finanças e Humanidade e abracei o tema que é meu trabalho: educação financeira. Fui convidado para ser um dos coordenadores desse grupo, ao lado de Antonia, uma freira croata que desenvolve trabalhos de educação financeira nesse país e de Damian, professor alemão, residente em Berlim. O que não teria acontecido sem a pandemia.


Passamos todo o ano nos dedicando a gerar resultados com 03 focos: pessoas com problemas financeiros, estudantes e professores e micro, pequenos e médios empreendedores. Desempenhar esse papel de liderança nos fez aprender com realidades de todo o mundo e ver que, seja em países como Estados Unidos ou Gana, temos dificuldades muito comuns quando o assunto é a gestão dos recursos que possuímos.


Por esse trabalho, fui convidado a compor, no dia 20 de novembro, um painel com o Professor Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz, criador do microcrédito ainda na década de 70 e fundador do Grameen Bank, em Bangladesh, o banco conhecido popularmente como Banco do Povo, e hoje, a fundação Grameen está em mundo todo, não atuando mais somente na área de concessão de empréstimos, expandiu suas ações de impacto social para várias vertentes, inclusive, telecomunicações.


Painel realizado com Professor Muhammad Yunus durante a Economia de Francisco


A Uniapac Internacional, a Uniapac América Latina e a ADCE Brasil se mobilizaram na preparação para o evento e também promoveram encontros presenciais (antes da pandemia) e online, em que, ao lado de Franchesco e Lucas, jovens da ADCE SP, e de demais jovens da Uniapac pelo mundo, pudemos compartilhar e sentir a dimensão do nosso movimento global.


Ver como a associação está presente por todo o mundo, encoraja a missão e também estimula a nossa capacidade enquanto grupo. Não por acaso, Clarice Lispector cravou: “Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe”, para que não participássemos de forma individual, mas enquanto Uniapac.


Tivemos a rara e feliz oportunidade de recebermos orientação do Cardeal Dom Odilo Scherer e também de conhecermos mais a fundo a Digital Academy, plataforma da Uniapac que oferece cursos e conteúdos de formação para os membros da associação.


Reunião realizada com o Cardeal D. Odilo Scherer para orientação rumo à EoF


Os princípios partilhados na Economia de Francisco, na Grameen Foundation e na Uniapac (ADCE), são extremamente semelhantes e potencialmente complementares. Isso reforça o nosso papel enquanto associação que leva princípios e valores para dentro dos ambientes empresariais, mas antes de chegarmos às empresas, eles devem ser cultivados em nossas casas, em nossos relacionamentos e em nossas famílias.


Particularmente, confidencio que vivenciar a Economia de Francisco foi um divisor de águas na forma de compreender a minha missão no mundo. Vejo de forma muito clara como todos podemos unir nosso trabalho a nosso propósito e fazermos diferença onde estivermos.


O movimento de Francisco continua, é provável que teremos um encontro presencial em 2021, mas mais importante do que isso, é o ato de continuarmos semeando. Somos todos semeadores nessa terra, devemos distribuir as sementes com inteligência para que não caiam em solo pedregoso, ou em terra árida, mas sim, em terrenos bons e férteis, para que deem frutos e multipliquem por 10, 30 e 100.


Preparemos nosso terreno, façamos diferença nas nossas realidades, e acreditemos no que nos disse São Francisco de Assis:


“Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente, você estará fazendo o impossível”.


Que essa verdade seja um imperativo em nossas vidas enquanto empreendedores, colaboradores e religiosos.


Paz e bem!

Matheus Machado

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