Aleluia!!! Oxalá.

04/01/2019

Hoje escrevo não como empresário, mas como um simples pai de 3 filhos, sendo um deles surdo de nascença, hoje com 36 anos de idade e formado em arquitetura.

 

Formar esse filho não foi tarefa fácil. As dificuldades iniciais para aprender a falar, superadas por uma imensa dedicação da mãe, o preconceito e o segregacionismo, estampados nos mais variados níveis, foram vencidos  principalmente por contarmos com uma família maravilhosa e havermos, quando ele ainda era criança, nos associado a outros casais, com filhos igualmente surdos, criado com eles uma associação e brigado em grupo pela igualdade de condições e tratamento.

 

No início a maior dificuldade era conseguir escolas, pois mesmo algumas particulares, consideradas de alto nível, negavam matrícula assim que tomavam conhecimento da existência da perda auditiva. Aceitá-lo como aluno, entretanto, não eliminava outros empecilhos, como professores incapazes de se comunicar, ou de entender que pessoas diferentes têm necessidades diferentes. Ir à escola não era uma rotina apenas dos nossos filhos, mas também nossa. Essa situação, infelizmente, perdurou até a faculdade, por mais incrível que possa parecer.

 

Mas, ele se formou e hoje é um arquiteto com todas as ferramentas e conhecimentos que a profissão exige. Vitória? No campo pessoal, sem dúvida, mas no profissional, por enquanto, de Pirro.

 

Apesar de ser um cidadão de bem, honesto, capaz e dedicado, não encontra trabalho dentro de sua profissão, assim como quase todos os seus amigos  (igualmente surdos e igualmente qualificados). Isso nada tem a ver com a crise que abate nosso país, mas com a cultura de exclusão que ainda permanece e posso afirmar que acomete com quase todas as pessoas portadoras de deficiência.

 

Mas por que não conseguem trabalho, se existe uma lei que obriga as empresas a contratar pessoas com deficiência? Coloco aqui um desafio: procure e veja se encontrará vagas para pessoas com deficiência e qualifidadas. Se existem, são raríssimas. Há muitas vagas, mas apenas para salários próximos ao mínimo, funções de menor importância e que não exigem sequer parte dos estudos a que ele se submeteu e que tanto sofreu para conseguir terminar.

 

Ontem, quando vi a primeira dama Michele Bolsonaro discursar em Libras (que é uma das línguas oficiais do Brasil), dizendo que cuidará para que as pessoas com deficiência possam crescer chorei copiosamente, assim como toda a nossa família. O mesmo ocorreu com as famílias de todos os amigos surdos de meu filho e até a intérprete, que traduzia o texto para o português, ficou com a voz embargada. Por que será?

Sinto, e acho que todos sentimos, que um novo tempo se aproxima, uma era de mais respeito e de oportunidades mais equalizadas, em que a competência seja julgada por si, não penas aparências ou fatores adjacentes, que em nada influenciam a performance.

 

Aleluia!! Oxalá isso de fato aconteça.

 

Sidney Porto, é empresário, presidente da Gerencial Brasil e Associado à ADCE-MG.

 

Please reload

Posts Recentes

Please reload

CONFIRA NOSSA AGENDA!

ADCE-SP - Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa de São Paulo

Venha nos visitar

 

Rua Santanésia, 528 - 1/ss

05580-050 - Butantã

São Paulo-SP

  • Instagram - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Facebook - Black Circle
  • LinkedIn - Black Circle

Entre em contato com a gente

 

Tel.: (11) 3726-8292 / 3726-8299  

                (11)96383-8292

 adcesp@adcesp.org.br

 

 

Site desenvolvido por LIF @2016