Resgate na Tailândia e legalização do aborto: paradoxos (anti) humanos

08/08/2018

Nos últimos dias, o mundo se comoveu e uniu esforços, contando com especialistas de vários países, em torno do hercúleo salvamento dos meninos drasticamente retidos por duas semanas em uma caverna tailandesa. A façanha procurou também garantir para cada criança uma trajetória segura, com a utilização de calmantes para efetuar o transporte, sendo ainda ceifada a vida de um mergulhador voluntário que morreu em uma das manobras anteriores, na tentativa de trazer o time de volta à luz. 

 

Paradoxalmente, foi recentemente - e surpreendentemente - divulgado pelo nosso Supremo Tribunal um boletim contendo decisões de tribunais de países variados, em favor do direito ao aborto. Digo surpreendentemente, pois poderia evidenciar falta de neutralidade, às portas de uma audiência pública promovida pela excelentíssima ministra Rosa Weber, relatora da ADPF 422 - proposta antidemocraticamente pelo PSOL para descriminalizar a prática abortiva nos primeiros três meses de existência de vida do feto -, a se realizar nos próximos dias 3 e 6 de agosto em Brasília (DF). A surpresa deveu-se a acreditarmos na mentalidade jurídica de nossa corte máxima, com a certeza de que não permitirá que se desloque um debate dos espaços legislativos, sobre tema de extrema relevância social, sem a devida representatividade, para secundar apelo partidário e paternalista, legislando contra o que foi amplamente debatido e determinado por nossa Constituição, que decidiu pela inviolabilidade da vida humana. 

 

Porém, o foco do artigo é outro advérbio: o que se refere ao paradoxo, já que as decisões contidas no referido boletim refletem também um esforço contrário de vários países - bem menos em realidade do que a totalidade dos países que compõem o globo -, mas que atestam uma insensibilidade com relação ao apreço pela vida, tão prestigiado e acompanhado durante o episódio em questão.  

 

Fomenta-se hoje uma perversa “ignorância” sobre toda a realidade que envolve o homicídio uterino, proibindo-se até mesmo que as mães assistam algum filme sobre o ato que vão praticar e afirmando, ao mesmo tempo, que não se trata de uma vida humana. Vem-me à cabeça uma cena do filme “Doze anos de escravidão”, em que um escravo enforcado em uma árvore luta para sobreviver. Ao lado, crianças brincam. Provavelmente, não permitiriam que isto acontecesse a um animal. Podemos aplicar a analogia ao aborto. De fato, interesses econômicos - incluindo a indústria do sexo - podem realmente ser camuflados de pseudopreocupação pela mulher, paradoxalmente onerando-a ainda mais, quando a empreitada seria no sentido de buscar soluções positivas para a profunda crise de amor da qual padece a sociedade. 

 

Nos últimos dias, lutamos heroicamente – também por meio de correntes de orações – para preservar vidas humanas ameaçadas. As criancinhas não nascidas deveriam encontrar-se, por sua vez, não em uma caverna hostil, mas aninhadas junto a sua própria mãe; deveriam também ser retiradas oportunamente com toda delicadeza para virem à luz e respirar, e não anestesiadas, como hoje é prática, para que não sofram dor ao serem desmembradas ou decapitadas, e, por fim, como os meninos da Tailândia, abraçadas por seus pais e mães, que deveriam esperá-las impacientemente. 

 

A Marinha tailandesa, aliada ao esforço global, deu um exemplo ao mundo na luta pela vida. Os brasileiros unidos, em torno de nossa Suprema Corte, a quem cabe guardar nossa Constituição, também podem dar um exemplo ao mundo, tanto de um verdadeiro Estado Democrático de Direito, quanto da proteção do direito mais básico de um ser humano: viver. 

 

As opiniões expressas na seção “Opinião” são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, os posicionamentos editorais do jornal O SÃO PAULO. 

 

 

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